O vinho é bom,
A sede é melhor ainda.
Despedir é bom,
Melhor é a solidão de quem fica.
As tardes são boas,
O feriado chuvoso é melhor ainda.
As gotas de chuva,
A corrida, o passo com pressa.
As cartas de amor são doces,
Muito melhor são as cartas de despedida.
Sentir dor é bom,
Escrever, esquecer é melhor ainda.
(21/04/15)
terça-feira, 21 de abril de 2015
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Impeachment da Dilma
Hoje uma estudante me disse:
- Professor, o que o senhor acha do Impeachment da Dilma?
- Acho que não existe impeachment, existe golpe.
- Mas o senhor não acha que tá uma roubalheira?
- Sim, acho. E acho que os ladrões têm que ira pra cadeia, por isso a investigação está acontecendo.
- Mas a Dilma não tem culpa?
- Não sei, as investigações vão dizer. Mas me diz uma coisa: E o caso da Alston? E o Antônio Anastasia? Desses você não pede impeachment?
- Alston? Quem é esse?
- Não é esse, é essa. Uma empresa que superfaturou mais de 500 milhões no metrô de São Paulo, governo do PSDB.
- Ah, não sabia.... Mas eu sou a favor do Impeachment.
-Tudo bem, se você concorda com Temer e Cunha na condução do país.
- Temer e Cunha? Quem são esses?
- Já vi que você tá sabendo muito sobre o impeachment!
- Eu vi no Tv Revolta, uma página do face que tá bombando.
- Ah, a página patrocinada pelo Álvaro Dias?
- Quem é Álvaro Dias?
- Um cara muito "honesto" e amante do povo brasileiro. Deputado do PSDB envolvido até com trabalho escravo.
- Mas ontem eu vi no Jornal Nacional que foram mais de 200 milhões!
- Sim, desde 1996!
- Então! Desde o Lula, professor!
- Não, em 1996 o presidente era o FHC, do PSDB.
- Sabia não!
- Professor, já percebi, você é petista, né?
- Não, não sou petista. Eu apenas procuro me informar e não ser massa de manobra da TV criada pela Ditadura Militar.
- Que canal, professor?
- A Globo, que sempre apoiou a Ditadura.
- Mas agora a Globo tá mostrando as coisas!
- Sim, mostrando o que ela quer, ou seja, mostrando somente o que quer que vejamos.
- Ah, professor, fala a verdade, o senhor é petista, não é?
- Não preciso mentir, não sou petista.
- Mas porque o senhor defende a Dilma?
- Não estou defendendo a Dilma, estou apenas dizendo que não quero ser vaquinha de presépio da mídia. Se é pra protestar, proteste também contra o PSDB, pois o caso da Alston é maior do que o mensalão.
- Sabia não... O senhor vai apoiar o impeachment?
- Só se você me responder quem é Temer e Cunha, os que assumiriam.
- Não sei, professor.
- Tá bom, então pesquise, leia e deixe de ser manipulada pela mídia.
- Ah, professor, o senhor é petista mesmo.
- Não vou insistir. Se pensa isso, tudo bem.
- Vou nessa, professor. Tenho que lutar pelos meus direitos!
- Vá com Deus! Que Ele te ilumine e um dia você aprenda um pouco sobre história, política e não seja tão manipulada.
- Vou nessa. Fora Dilma! Impeachment já!
---- x ------
Não sabe o que é impeachment, nem que isso é uma manobra golpista após 3 meses de uma eleição onde milhões de brasileiros escolheram democraticamente, através do voto secreto sua Presidenta.
Não sabe quem é Michel Temer, nem Eduardo Cunha.
Não sabe a história da Globo e da grande mídia, nem entende os interesses envolvidos nas suas "notícias".
Não sabe nada sobre o caso Alston, nem outro caso de corrupção tucana, nem nada sobre a "privataria tucana".
Não sabe nada, nem mesmo o nome do ex-Governador de Minas Gerais.
Não sabe nada de nada e se acha "rebelde" buscando informação numa página financiada por um deputado do PSDB envolvido com trabalho escravo.
Como dizem por aí: sabe de nada, inocente!
[by Disney Lenon]
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Não rima
Desencantei,
Cansei de te esperar pra dormir,
De conchinha e cafuné,
Ou alguma grande aventura na noite metropolitana,
Regada a letreiros de neon, jaqueta jeans e botas,
Som alto na madrugada, alguns goles de cerveja
Ou qualquer outra bebida gelada
Que não nos fizesse dormir.
Cansei do teu discurso neo-blasé meio cult,
De sim meio não em tom de talvez.
A boca pede e clama,
Os astros a provocar,
O que eu quero é não precisar parar,
É movimento. Movimentação.
Não tô na tua dança.
Quero a serpentina,
Quero as marchinhas, o confete,
O brilho, a purpurina.
Gosto de cair na pista
E você não é tudo isso que tá no jornal.
(E essa poesia nem será publicada
É chata como você, com essas rimas forçadas).
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Reconhecendo sujeitos
Depois das festas de final de ano, iniciamos 2015 e, apesar do ditado de que o ano no Brasil só começa depois do carnaval, várias classes de trabalhadores trabalham como nunca neste período. É o caso das catadoras e catadores de materiais recicláveis, já que o aumento na produção e consumo (especialmente no Natal), acrescentam consequentemente a quantidade de materiais recicláveis no mercado da logística reversa. E é também, neste momento que os preços pagos por estes materiais despencam.
Além das longas jornadas de trabalho, que são maiores nesta época, são diversos os riscos de saúde nesta profissão. Tudo isso em troca de baixos salários, poucos ou nenhum direito trabalhista.
O texto na íntegra está aqui.
Reciclar é preciso, reconhecer catadoras e catadores também!
Além das longas jornadas de trabalho, que são maiores nesta época, são diversos os riscos de saúde nesta profissão. Tudo isso em troca de baixos salários, poucos ou nenhum direito trabalhista.
O texto na íntegra está aqui.
Reciclar é preciso, reconhecer catadoras e catadores também!
| As cooperativas são compostas majoritariamente por mulheres. |
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Crise hídrica em São Paulo - da água à lama
Muito tem se falado sobre a crise hídrica em São Paulo. Porém, pouco tem se feito, o cenário piora a cada dia. Depois das eleições, Campinas tem mais de 100 bairros sem água nesta semana. Mais do que lamentar, é importante se informar sobre a situação, para conseguirmos atuar de maneira efetiva.
Assisti esses dias uma palestra com os Profs: Julio Cerqueira César (USP) e Antonio Zuffo (UNICAMP), disponível aqui que pode contribuir muito com isso:
Abaixo segue os pontos que considerei mais importantes:
- Região Metropolitana de São Paulo (RMSP): 2ª maior metrópole do mundo, com 22 milhões de habitantes
- Região Metropolitana de Campinas (RMC): Pólo tecnológico, intensa atividade industrial e agrícola, alta densidade demográfica
- Bacia que abastece a RMSP tem pouca água naturalmente, por ser uma região de nascentes
- Por isso há a necessidade de transposição de água de outra bacia para a RMSP
- O Sistema Cantareira foi criado com este objetivo nas décadas de 70 e 80. É situado na Bacia PCJ - Piracicaba, Capivarí e Jundiaí - na região de Campinas
- Disputa entre a RMSP e RMC por água.
- Falta de chuva não é atípica, é normal do ciclo hidrológico.
- Deveria aguentar 8 anos de seca, mas por problemas de gestão só aguentou 2
- A escassez existe porque o aumento da população não foi acompanhado de aumento de reservatórios de água
- As tomadas de decisão foram adiadas: em 2003, 2004 o Sistema Cantareira atingiu o limite da sua capacidade e nada foi feito
- Em 2007 a Sabesp admitiu que a situação era gravíssima e o estado assumiu a gestão da água na RMSP (Sabesp não atua em todos os municípios)
- É provável que entremos em um novo período de estiagem (questões de ciclo hidrológico) e haja redução de 20 a 30% da vazão média de água na região sudeste.
- Necessidade de planejar novas fontes de captação
- Sistema São Loureiro: projetado na década de 60, deveria ter começado em 87
- A transposição desse sistema de 4,7 m³/s é insuficiente, porque só a redução prevista de 20 a 30% da vazão do Cantareira é de 7m³/s
- SABESP tem perdas 40% na rede de (da Estação de Tratamento de Água aos domicílios, perde-se na tubulação água potável) se caísse para 20% teríamos quase um novo Sistema Cantareira, aproximadamente 30m³/s
- Tóquio tem aprox. 5% de perdas
- Volume vivo: aquilo que está acima do nível, que pode ser captado sem bombeamento
- Volume morto: necessidade de bombeamento
- Neste caso do Cantareira é preciso fazer a dragagem do canal, que acaba misturando o lodo (que acumula poluentes) a água que é captada
- Risco da situação sanitária voltar a ser como era na década de 60: gravíssima e com poluição atmosférica altíssima também (Cubatão)
- Na Região de Campinas os pontos de lançamento de esgoto e captação de água para abastecimento são tão próximos que na prática, bebemos água de reuso
- Existe água em SP, mas água de má qualidade, mas que é possível de ser tratada e tornar potável, só que o custo é muito alto
- Crise hídrica causará problemas graves a saúde pública: aumento de doenças de veiculação hídrica e mais: queda na produção, desemprego, violência, etc.
- Alckimin tem TOTAL responsabilidade pela crise e rejeitou o plano de racionamento proposto pela SABESP. A condução do problema foi política e não técnica
Também deixo aqui o meu texto no Pensamento Verde sobre a questão.
E por último, para quem não se importar em ficar um pouco depressivo, diante do cenário apocalíptico, indico esse texto aqui muito bem fundamentado cientificamente.
Assisti esses dias uma palestra com os Profs: Julio Cerqueira César (USP) e Antonio Zuffo (UNICAMP), disponível aqui que pode contribuir muito com isso:
Abaixo segue os pontos que considerei mais importantes:
- Região Metropolitana de São Paulo (RMSP): 2ª maior metrópole do mundo, com 22 milhões de habitantes
- Região Metropolitana de Campinas (RMC): Pólo tecnológico, intensa atividade industrial e agrícola, alta densidade demográfica
- Bacia que abastece a RMSP tem pouca água naturalmente, por ser uma região de nascentes
- Por isso há a necessidade de transposição de água de outra bacia para a RMSP
- O Sistema Cantareira foi criado com este objetivo nas décadas de 70 e 80. É situado na Bacia PCJ - Piracicaba, Capivarí e Jundiaí - na região de Campinas
- Disputa entre a RMSP e RMC por água.
- Falta de chuva não é atípica, é normal do ciclo hidrológico.
- Deveria aguentar 8 anos de seca, mas por problemas de gestão só aguentou 2
- A escassez existe porque o aumento da população não foi acompanhado de aumento de reservatórios de água
- As tomadas de decisão foram adiadas: em 2003, 2004 o Sistema Cantareira atingiu o limite da sua capacidade e nada foi feito
- Em 2007 a Sabesp admitiu que a situação era gravíssima e o estado assumiu a gestão da água na RMSP (Sabesp não atua em todos os municípios)
- É provável que entremos em um novo período de estiagem (questões de ciclo hidrológico) e haja redução de 20 a 30% da vazão média de água na região sudeste.
- Necessidade de planejar novas fontes de captação
- Sistema São Loureiro: projetado na década de 60, deveria ter começado em 87
- A transposição desse sistema de 4,7 m³/s é insuficiente, porque só a redução prevista de 20 a 30% da vazão do Cantareira é de 7m³/s
- SABESP tem perdas 40% na rede de (da Estação de Tratamento de Água aos domicílios, perde-se na tubulação água potável) se caísse para 20% teríamos quase um novo Sistema Cantareira, aproximadamente 30m³/s
- Tóquio tem aprox. 5% de perdas
- Volume vivo: aquilo que está acima do nível, que pode ser captado sem bombeamento
- Volume morto: necessidade de bombeamento
- Neste caso do Cantareira é preciso fazer a dragagem do canal, que acaba misturando o lodo (que acumula poluentes) a água que é captada
- Risco da situação sanitária voltar a ser como era na década de 60: gravíssima e com poluição atmosférica altíssima também (Cubatão)
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| Fonte: G1*(Foto: Mateus Andrade/Arquivo Pessoal ) |
- Não temos nenhuma solução descrita para essa situação
- Não existe solução de engenharia para trazer água potável em menos de 7 ou 8 anos.- Existe água em SP, mas água de má qualidade, mas que é possível de ser tratada e tornar potável, só que o custo é muito alto
- Crise hídrica causará problemas graves a saúde pública: aumento de doenças de veiculação hídrica e mais: queda na produção, desemprego, violência, etc.
- Alckimin tem TOTAL responsabilidade pela crise e rejeitou o plano de racionamento proposto pela SABESP. A condução do problema foi política e não técnica
Também deixo aqui o meu texto no Pensamento Verde sobre a questão.
E por último, para quem não se importar em ficar um pouco depressivo, diante do cenário apocalíptico, indico esse texto aqui muito bem fundamentado cientificamente.
terça-feira, 17 de junho de 2014
A Copa do Mundo é nossa!
E os impactos ambientais decorrentes dela também. Mas os lucros são da FIFA e seus parceiros.
Pois é, além das remoções de milhares de famílias, condições desumanas de trabalho, mortes de trabalhadores nos estádios, palavras do nosso vocabulário virando propriedade da FIFA, dura repressão às manifestações, temos ainda muito de desrespeito ao meio ambiente.
A supressão de remanescentes florestais, construções sem Licenciamento Ambiental, o privilégio de uso de transportes coletivos em detrimento dos coletivos, são só alguns exemplos.
A íntegra deste texto está publicado aqui:
http://www.pensamentoverde.com.br/colunistas/copa-2014-o-meio-ambiente-jogado-para-escanteio/
Salve a seleção!
Pois é, além das remoções de milhares de famílias, condições desumanas de trabalho, mortes de trabalhadores nos estádios, palavras do nosso vocabulário virando propriedade da FIFA, dura repressão às manifestações, temos ainda muito de desrespeito ao meio ambiente.
A supressão de remanescentes florestais, construções sem Licenciamento Ambiental, o privilégio de uso de transportes coletivos em detrimento dos coletivos, são só alguns exemplos.
A íntegra deste texto está publicado aqui:
http://www.pensamentoverde.com.br/colunistas/copa-2014-o-meio-ambiente-jogado-para-escanteio/
Salve a seleção!
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Sobre completar o álbum da Copa - e outros atos
Falta 1 mês para a Copa e não vi ainda as ruas pintadas de verde- amarelo, só vi o povo dizendo que NÃO VAI TER COPA! Mas sabemos que terá, a Copa dos mega-investimentos em estádios não concluídos e sem valia futura para o depois... da Copa, a Copa superfaturamentos de obras, a Copa das grandes empreiteiras, a Copa das remoções de milhares de trabalhadores já está ocorrendo, a Copa da FIFA já está ocorrendo.
A organização deste evento, tanto por parte da FIFA quanto do Estado Brasileiro, não tem a palavra diálogo e respeito em seu vocabulário. É um processo pronto e acabado, que não dialoga com as necessidades do povo que sediará esse evento de esporte, que já disse mais de uma vez que coloca como necessidade saúde, educação, transporte, mobilidade, saneamento básico, moradia, ambiente equilibrado, cultura e lazer em primeiro lugar.
Não sou da área, mas quando me remeto à palavra esporte, me vem na cabeça ideias de lazer, atividade física, bem estar, algo divertido, alegre, coletivo.
Quando era criança me lembro, além das ruas pintadas de verde-amarelo, pessoas jogando bola e com um álbum de figurinhas na mão. E eu que nunca fui muito de futebol, me divertia acompanhando meu irmão e amigos nessa saga. Afinal, quem não queria completar o álbum?! Crianças e adultos se reuniam nessa brincadeira: troca de figurinhas – umas mais valiosas que outras - o bate mão para virar as figurinhas, apostas, a corrida em banca de jornais para comprar mais pacotinhos, uma festa! E curiosamente, quem ganhava o jogo, não se divertia mais.
E hoje? Fiquei sabendo esses dias por colegas de trabalho, que é possível completar o time da seleção espanhola comprando pela internet, o que me fez pensar: mas isso tem graça? E o processo todo de conseguir as figurinhas, que no fundo era o barato da brincadeira? É como se num jogo de futebol, combinássemos com o goleiro do time adversário quantos gols ele levaria. Para mim, isso não tem graça! Um produto pronto e acabado é no que se transformou a diversão, a imagem da conquista é o que diverte hoje. Não há diálogo com os demais colegas, não há mais cooperação e coletividade que a busca de novas figurinhas proporcionava.

Não sou pedagoga, tampouco entendo de psicologia, mas fico imaginando como uma criança que completa o álbum de figurinhas comprando pela internet irá lidar com a frustração... Quase ninguém conseguia completar o álbum na minha infância e isso não era ruim!
Tal como o álbum das seleções - que tem várias figurinhas de patrocinadores pipocando nos pacotinhos, diga-se de passagem – a Copa da FIFA está pronta e acabada no pacote da Lei Geral da Copa. Ambos oprimem o processo, excluem o diálogo e mercantilizam a diversão.
É a Copa dos Patrocinadores e não a Copa da Liberdade!
(Ao lado poema de Carlos Drummond de Andrade)
Texto: Denise Vazquez Manfio
Colaboração: Amélia D'Ascenção Vazquez
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