terça-feira, 29 de março de 2011

através das lentes é que eu vejo

Poesia e faço arte, me encanto e me divirto em cada passo, em cada verso que surge e que escapa pelo ar,
  atmosfera impregnada de poemas eternos e coloniais, que estão ali há tempos, são eternos e transversais, esperando que alguém os colha, recolha numa fotografia, e que vão


proliferar-se, encantar-se cada vez que um olhar pairar sobre eles. eu os colhi, mais eles ainda estarão lá, sendo colhidos por tanta gente, por tantas lentes. mas há muitos outros, mas há muitas gentes, mas há muitos dias e meses e anos e já se passaram o mesmo tanto. o importante é sentir o lirismo, o cheiro e a cor. 

sentir amor. 

Fotos e texto: Denise Vazquez Manfio

domingo, 6 de março de 2011

tanta coisa fora do lugar

Sei que
é preciso apagar a luz para ver tudo mais claro, às vezes só no escuro percebemos coisas que estavam diante de nós. mas o ano do tigre (de acordo com o horóscopo chinês) acabou (me abocanhou, feriu, mas não dilacerou). Entra agora o ano do Coelho - que por compensação (merecida ou não) é o meu signo nesse horóscopo. Me sinto contemplada duas vezes esse ano: a tal Era de Aquário (meu signo no outro horóscopo) também já vem sendo anunciada há algumas décadas e digo: entra de vez na minha vida! por favor! rs

 Acredito eu em muitas coisas, coisas que tem fortalecido minha fé no mundo e nas pessoas, apesar dos
 apesares, como diria uma velha amiga. Tenho cantado muito aquele trecho de uma música interpretada pela bela Luíza Possi: "tanta coisa fora do lugar ao meu redor". Boto fé que as coisas vão se ajeitando, vão se aprumando... e a gente vai aprendendo com a graça da vida, que por não ser perfeita, tem graça, porque tem suor e lágrimas, porque tem briga e desenganos, porque tem mentiras e calúnias e golpes. Mas tem amor, coragem, dignidade, alegria, afeto, aconchego, carinho, sinceridade e braços abertos para quem sabe abraçar. 


 Ser forte pra mim é saber chorar, é ser atacado, mas não desistir do mundo, e continuar acreditando, e continuar sonhando, e continuar crescendo e sendo leal, fiel a si mesmo.
Porque existem coisas lindas nascendo o tempo todo ao nosso redor, basta saber olhar. Esses daí estão na árvore da varanda da casa dos meus pais.

Todo o conhecimento do mundo não vale nada se não houver práxis

domingo, 28 de novembro de 2010

os pés descalsos do Rio - criminalização da pobreza, limpeza étnica, Estado autoritário, etc

violência é caso para inteligência

Quero conversar com os demais deputados para chamar a atenção para algumas coisas que fogem a obviedade. É claro que a situação no Rio é uma situação delicadíssima, inaceitável. Todos nós sabemos disso, mas cabe ao Parlamento um debate um pouco mais profundo, do que necessariamente faz, ou fazem os meios de comunicação. E, nesse sentido, quero pontuar algumas coisas. Primeiro, a venda fácil da imagem de que o Rio de Janeiro está em guerra. Quero questionar essa ideia de que o Rio está em guerra.

Primeiro, que as imagens, as armas, o número de mortos, tudo isso poderia nos levar a uma conclusão da ideia de uma guerra. Mas, qual é o problema de nós concluirmos que isso é uma guerra, de forma simplista? Não há elemento ideológico: não há nenhum grupo buscando conquistar o estado. Não há nenhum grupo organizado que busca a conquista do poder por trás de qualquer uma dessas atitudes. As atitudes são bárbaras, são violentas, precisam ser enfrentadas, mas daí a dizer que é uma guerra, traz uma concepção e uma reação do Estado que, em guerra, seria matar ou morrer. Numa guerra a consequência e as ações do Estado são previstas para uma guerra. Hoje, inevitavelmente, o grande objetivo é eliminar o inimigo e talvez as ações do Estado tenham que ser mais responsáveis e mais de longo prazo. (Foto de Sebastião Salgado)
É preciso lembrar que existem outras coisas importantes que temos que pensar neste momento. Primeiro, não precisa ser nenhum especialista para imaginar que as ações das UPPs teriam essa consequência em algum momento. Não precisa ser especialista para fazer essa previsão. Era óbvio que em algum momento, ou no momento da instalação, quando não houve, ou num momento futuro, uma reação seria muito provável. Então, era importante que o governo estivesse um pouco mais preparado    para esse momento. Dizer que está sendo pego de surpresa porque no final do ano está acontecendo isso não me parece algo muito razoável, porque era evidente que isso poderia acontecer.
Neste sentido, seria fundamental que, junto com a lógica das ocupações – eu não vou aqui debater sobre as UPPs, mas tenho os meus questionamentos –, acontecesse o incremento de um serviço de inteligência. Na verdade, o governo do Rio de Janeiro investe muito pouco no serviço de inteligência da polícia, investe muito pouco na estrutura de inteligência.

Vou dar um exemplo. Quem quer visitar a Draco, a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, portanto, uma delegacia estratégica? Se alguém tem alguma dúvida de que a Segurança Pública não faz investimento nos lugares devidos, vá a essa delegacia, que deveria ser muito bem equipada e estruturada, com boa equipe, bem remunerada, com bons instrumentos. Essa delegacia é uma pocilga, é um lixo! Ela fica nos fundos da antiga Polinter, na Praça Mauá, sem qualquer condição de trabalho para os policiais. Estou falando da Draco, da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado, uma das mais importantes que tem o Rio de Janeiro.

Não adianta a Segurança Pública ser instrumento de propaganda política quando, na verdade, os investimentos mais importantes e necessários não são feitos nos lugares corretos, não atendem aos lugares corretos. Se o Governo do Estado do Rio de Janeiro investisse na produção de inteligência e na inteligência da ação policial, certamente, muito do que está acontecendo – não totalmente, para ser honesto, mas muito do que está acontecendo – poderia ser previsto. A ação poderia ser mais preventiva do que reativa.

As ações emergenciais diante uma situação como essa, é evidente que precisam ser tomadas. É evidente que a polícia tem que ir para rua, é evidente que você tem que ter uma atenção maior, tem que haver a comunicação com o Secretário permanente com a sociedade, isso ele está fazendo, eu acho que é um mérito, acho que ele não está fugindo do problema, está debatendo, isso é importante. Mas nós temos também que perceber nesse momento o que não funcionou porque não adianta nesse momento a gente falar: “a culpa é da bandidagem”, isso me parece um tanto quanto óbvio, mas, o que de responsabilidade tem no Poder Público que falhou e que não pode mais falhar? Uma boa parte dos prisioneiros do chamado “varejo da droga” foi transferida para Catanduvas, o que, diga-se de passagem, é um atestado de incompetência do nosso sistema prisional que transfere para Catanduvas, porque no Rio de Janeiro a gente não consegue manter os bandidos presos, afinal de contas, há uma série de problemas: de limitações, de uma corrupção incontrolável... agora, transfere para Catanduvas e aí a solução e o diagnóstico dados pela Secretaria de Segurança é que partiu de Catanduvas a ordem para que tudo isso aconteça. Enfim, agora que o problema é de Catanduvas, a gente transfere os delinquentes para Marte?

Então, qual é a solução? O que está acontecendo de fato nesse momento? Essa juventude do varejo da droga nunca se organizou em movimento de igreja; nunca se organizou em movimento estudantil - até porque nem para escola boa parte foi -, nunca se organizou em movimento sindical; não é uma juventude que tem uma tradição, uma cultura de organização, não tem. Agora, querer achar que eles passam a se organizar e organizar muito bem, que representam o tráfico internacional?  É uma tolice. Essa juventude é uma juventude violenta que só entende a lógica da barbárie e é com a barbárie que eles estão reagindo a essa situação que está colocada no Rio de Janeiro, está longe, muito longe de ser o verdadeiro “crime organizado”.

Fica uma pergunta: quantas vezes a polícia do Rio de Janeiro, em parceria com a Polícia Federal, em parceria com a Marinha, em parceria com quem quer que seja, fez ações de enfrentamento ao tráfico de armas na Baía de Guanabara? Quantas vezes a Baía de Guanabara foi palco das ações de enfrentamento ao tráfico de armas e ao tráfico de drogas? Nunca! Não é feito porque não interessa o enfrentamento ao tráfico de armas, o que interessa é o enfrentamento aos lugares pobres, que são mais fáceis, mais vulneráveis para que essa coisa aconteça, e ficam “enxugando gelo”. Quem é que vende esse armamento para esses lugares? São setores que passam por dentro do próprio Estado, todo mundo sabe disso. A gente precisa interromper um processo hipócrita antes de debater qualquer saída de Segurança Pública. Nós temos que, nesse momento de grave crise do Rio de Janeiro, discutir as políticas públicas de Segurança que não estão funcionando. Não dá para o Governo chegar agora e dizer: “está ruim porque está bom”, “está um horror porque estão reagindo a algo que está muito bom”. É pouco e irresponsável diante do que a população está passando. Nós temos que, neste momento, ser honestos e mais republicanos e admitir onde falhamos para que possamos avançar, num debate que não pode ser partidário, mas responsável, com a população do Rio de Janeiro.

Esse texto foi retirado da página do Deputado Estadual Marcelo Freixo PSOL - RJ: http://www.marcelofreixo.com.br/site/noticias_do.php?codigo=114

tem solução, ainda que demore



Cabines da Polícia Militar metralhadas, automóveis e ônibus incendiados, assaltos em série, arrastões, tiroteios, criminosos armados em ações ostensivas nas ruas da região metropolitana do Rio de Janeiro. Facções do comércio armado de drogas ilícitas, supostamente unidas, estariam ‘dando um recado’ às autoridades de Segurança Pública. É preciso que a cidadania, tão vulnerável, também dê o seu. Para dizer que, mais do que ‘crime organizado’, o que há no Rio de Janeiro é uma política de segurança insuficiente e desorganizada – a despeito da inegável seriedade, franqueza e honestidade do secretário Beltrame e de algumas autoridades da atual cúpula da Segurança Pública do estado do Rio de Janeiro.  
(Foto: Carlos Eduardo Rodrigues / Agência O Dia)

Destaco, como representante da população aflita do Rio:

1 – Todo apoio às recentes ações de fim do controle territorial de regiões pobres pelos bandidos. Mas sem políticas públicas plenas para as áreas e populações ditas ‘libertadas’ o potencial de degradação da vida continuará, ao invés da propalada ‘pacificação’;

2 – O ‘sacode’ do banditismo – sempre considerado ‘acuado’ pelas autoridades – só semeia pânico pelo fato de continuarem muito bem armados seus ‘ativistas’: sem desarmamento e corte das fontes desse abastecimento nada avançará. Não há registros de operações de apreensão de quantidades expressivas de armas e munições nas fronteiras do Brasil e do estado do Rio de Janeiro, na baía de Guanabara, em comboios do crime. O armamentismo das facções do varejo das drogas é alimentado pela cumplicidade ou omissão das polícias e também das Forças Armadas, no que lhes compete. Parte da força do tal ‘crime organizado’ vem das autoridades que deviam se empenhar em enfraquecê-lo;

3 – Os locais ‘perigosos’ onde ainda se esconde a bandidagem sempre foram mantidos na precariedade, no desvínculo social e cultural, e no armamentismo já mencionado, pelas autoridades que os manipulam como grandes currais de votos – quanto mais desassistidos, mais capturados ficam pela política de clientela, coniventes com o domínio espúrio das milícias ou do tráfico;

4 – Os envolvidos na onda de atentados e assaltos não compõem o pólo de uma “guerra civil”: não têm articulação política, projeto de poder nem de sociedade. No mundo da barbárie em que cresceram, toscos, só aprenderam a reagir com essa truculência bárbara e espasmódica, que não “acumula forças” nem “conquista posições”;

5 – Onde está a ‘inteligência policial’ que não previu – e, portanto, não inibiu – que chefes do varejo armado de drogas, expulsos pelas UPPs, iriam, naturalmente, se transferir para outras áreas e dali organizar reações à perda de seu domínio?

6 – Como aceitar que esse comando das ações de intimidação pelo crime se origine, absurdamente, em Catanduvas (PR), no presídio de SEGURANÇA MÁXIMA, de onde os principais chefes do tráfico do Rio de Janeiro estariam dando ordens para os ataques intimidatórios? A corrupção abre generosos – e letais! – espaços de comunicação! Isso também precisa ser urgentemente estancado.

Sala das Sessões, 25 de novembro de 2010
Chico Alencar
Deputado Federal, PSOL/RJ

Esse texto foi retirado da página do Deputado Federal Chico Alencar PSOL - RJ:
http://www.chicoalencar.com.br/_portal/noticias_do.php?codigo=394

terça-feira, 26 de outubro de 2010

diálogos

na seqüência, copio alguns emails trocados com o Marco da Rudra Tecnologia Sustentáveis:

Denise:
o que vocês entendem por sustentabilidade?

Marco:
O Construção Eficiente é um produto da Rudra Tecnologias Sustentáveis.  A Rudra desenvolve softwares para novos modelos de negócios, dentro da concepção de um capitalismo natural.  Acreditamos que a consciência ambiental apenas começou a ser despertada na humanidade e, por uma necessidade de sobrevivência da espécie humana, praticamente todos os processos produtivos atuais deverão se adaptar nos próximos anos.
Nossa missão é transformar o discurso de sustentabilidade em prática através de produtos e processos inovadores para segmentos considerados estratégicos, sendo um deles, a construção civil.
 
Em um levantamento feito com nove mil consumidores de diversos países, inclusive o Brasil, conduzido pela Penn, Schoen & Berland Associates (PSB), constatou-se que apesar de a maioria dos consumidores em todos os países pesquisados acharem que produtos verdes custam mais, brasileiros e indianos consideram que o maior empecilho para sua compra é a falta de opções.
O portal Construção Eficiente vem ao encontro da necessidade dos consumidores conscientes em encontrar opções ecoeficientes. Temos total consciência que a sustentabilidade na indústria da construção civil é uma utopia, mas acreditamos que é possível contribuir para redução do impacto ambiental através da promoção e distribuição de novos produtos e serviços que tragam menor impacto ambiental com relação aos similares de mercado. Esse é o papel do Construção Eficiente.

Denise:
Agradeço as informações. Mas, eu não acredito em desenvolvimento sustentável no sistema capitalista, acho absolutamente incompatível.

Marco: 
Particularmente, gosto de escutar pontos de vistas interessantes. Conceitualmente, acredito no tripé da sustentabilidade que orienta para um desenvolvimento socialmente justo, economicamente viável e ecologicamente correto. Acredito no equilíbrio e interferência mínima na natureza. Agora, falando com uma visão de empreendedor que sou, enxergo oportunidades de novos mercados orientado para preservação, manutenção e recuperação dos recursos naturais, onde podemos gerar mais empregos, conhecimentos e qualidade de vida. Vejo que o grande desafio é manter o crescimento econômico dentro de novos padrões de consumo que o Planeta suporte, pois já sabemos que precisaríamos de mais de uma dezena de planetas Terra para manter os padrões atuais com a população que temos.

Denise:
Como me deu liberdade em abordar o assunto a partir de uma perspectiva particular, estou lhe enviando um texto de um profº da Unicamp: Esse texto é um esclarecimento sobre o porquê eu realmente discordo (em partes) da sua opnião, principalmente no que tange ao crescimento econômico. Se não tiver interesse em ler o texto, tudo bem, mas acredito que se disponibilizar um tempo relativamente pequeno, conhecerá uma perspectiva que vai além das manchetes de jornal e da mídia massificada que nos prega a mesma ideologia todos os dias, faço um convite ao sr para conhecer uma abordagem diferente das demais.

Marco:
Claro que concordo com o Castillo quando conclui "O Estado, em todos os seus poderes e escalas, tem que tomar a frente dos problemas ambientais e sociais, conjuntamente."
O fato é que o Estado se mostra reativo e ineficiente e que as ONG's e empresas privadas têm tomado a frente.
Agora, é um pensamento ingênuo desconsiderar as ações do mercado. As novas oportunidades no chamado "negócios verdes" é um adaptação do capitalismo criado na fase mercantilista onde se pensava que os recursos naturais eram ilimitados. Negócios verdes propõe modelos de negócios e novos fluxos de capitais. Por exemplo, não é simples mudar uma matriz planetária movida a combustível fóssil do dia para noite. E não se pode deixar de presitigiar ações como a da Alemanha que pretende utilizar 100% de energia renovável dentro de 40 anos. De fato Desenvolvimento não combina muito com sustentabilidade, mas temos que achar uma solução. A humanidade está aprendendo. Acredito que as próximas gerações pagarão um preço muito caro pela nossa ignorância e negligência sobre os impactos ambientais.
Acredito que precisamos de lideres conscientes tanto no Estado, quanto nas empresas e nas escolas. Consciencia é uma semente que temos que plantar nas mentes de cada pessoa e existem níveis de consciencia. O ser humano tinha a conexão com a natureza e ser perdeu. Agora temos que reaprender. Infelizmente, acho que é tarde demais. Vou fazendo minha parte, dentro da minha limitada consciencia ambiental e plantando a semente da consciencia, dentro da minha capacidade.

Denise:
Quanto ao fato de que o Estado se mostra reativo, concordo, plenamente, mas diante disso o que não podemos é negá-lo e deixar que Organizações Não Governamentais tomem a frente e fragmentem o debate da questão ambiental, não discordo de que podemos e devemos criar alternativas para o sistema de técnicas que aí estão e que degradam o ambiente em que vivemos, em que o homem é ativo e passivo ao mesmo tempo. Marco Aurélio, eu tenho como formação inicial Tecnologia em Saneamento Ambiental, algo extremamente ligado aos princípios que você acredita e que pratica em seu ambiente de trabalho, mas ao longo dos 4 anos de graduação, eu percebí que todo esse debate pragmático e fragmentado da questão ambiental não é suficiente para a solucionar os problemas que o homem criou. É como se um médico fosse tratar somente dos sintomas da doença e não eliminar e nem querer saber quais são as causas e qual é a doença, somente a remediação por via das técnicas não basta para a resolução dos problemas que estamos diante hoje. A chamada crise ambiental, ao meu ver, não é uma crise porque na verdade nunca na história moderna da sociedade, ou seja, a capitalista, tivemos um equilibrio, o capitalismo em sua essência é desigual e desequilibrador, afinal, o lucro é a estrutura do sistema e é a chance de alguém ganhar e outro perder, isso é o lucro. Sendo assim, vivemos numa consequência desse sistema, que convenientemente chamamos de "crise". Outro ponto que para mim é essencial: o meio ambiente não exclui a sociedade que o penetra, interage e  o forma. Portanto, quando digo que temos que mudar de sistema político-econômico e social para enfrentar e solucionar verdadeiramente e não aparentemente os problemas ambientais, incluo a miséria, a pobreza, as condições de vida do homem, que tem a relação de dominação da natureza na nossa sociedade.

Deixo algumas perguntas para a reflexão:

Os dados nos mostram que o desmatamento da Amazônia é rentável, dá lucro, e que a recuperação de pastagens degradadas custa o dobro do que desmatar, como fazemos então, diante desse impasse, quando o centro da sociedade é o dinheiro e não o próprio homem?
O Estado pode investir na recuperação e dar incentivo fiscal, estímulos financeiros para os pecuaristas e agricultores?
Economistas ecológicos vão avaliar o valor daquele bioma e mostrar aos grandes empresários que deixar esse bioma, que é um espaço extremamente antrópico, (diante das populações que vivem lá e interagem na floresta, modificando e adequando a floresta as suas necessidades)?
Teremos que convencer os empresários a não degradarem o ambiente que por décadas e séculos foi o habitat de populações que, por não possuirem a moeda de troca vigente, são todos os anos, expulsos de suas terras?
Tudo deve ser convertido em dinheiro? A subjetividade em que estamos imersos não pode ser convertida em dinheiro, não há equivalência, o direito a terra (Estatuto da Terra de 1964),  “a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento sócio-econômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana” como nos diz a Política Nacional de Meio Ambiente do Brasil será assegurada para todos ou somente para aqueles que tem a moeda de troca? Vivemos num Estado de Direito ou de Bens?
Você me disse que temos que achar uma solução, pois bem, eu lhe digo que para mim, a solução é centralizar o homem e não o lucro.
A verdadeira consciência nos mostra que coletivismo é a chave para a resolução dos problemas que assolam a humanidade.

Marco:
Acho que nosso papo vale um post num blog e compartilhar com o coletivo! O que acha?

Denise: postado.

sábado, 16 de outubro de 2010

no 2º turno eu voto no 50 de novo!

 Sexta, 15 de outubro de 2010, 13h52 

Atualizada às 13h57

Manifesto à Nação

Plínio de Arruda Sampaio
De São Paulo
Para os socialistas, a conquista de espaços na estrutura institucional do Estado não é a única nem a principal das suas ações revolucionárias. Em todas estas, os objetivos centrais e prioritários são sempre os mesmos: conscientizar e organizar os trabalhadores, a fim de prepará-los para o embate decisivo contra o poder burguês.
Fiel a esta linha, a campanha do PSOL concentrou-se no tema da igualdade social, o que possibilitou demonstrar claramente que, embora existam diferenças entre os candidatos da ordem, são diferenças meramente adjetivas.
Isto ficou muito claro diante da recusa assustada e desmoralizante das três candidaturas a firmar compromissos com propostas de entidades populares - como a CPT, o MST, as centrais sindicais, o ANDES, o movimento dos direitos humanos - nas questões chaves da reforma agrária, redução da jornada de trabalho sem redução salarial, aplicação de 10% do PIB na educação, combate à criminalização da pobreza.
Não há razão para admitir que se comprometam agora, nem para acreditar que tais compromissos sejam sérios, como se vê pelo espetáculo deprimente da manipulação do sentimento religioso nas questões do aborto, do casamento homossexual, dos símbolos religiosos - temas que foram tratados com espírito público e coragem pela candidatura do PSOL. Nem se fale da corrupção, que campeia ao lado dos escritórios das duas candidaturas ora no segundo turno.
Cerca de um milhão de pessoas captaram nossa mensagem. Constituem a base de interlocutores a partir da qual o PSOL pretende prosseguir, junto com os demais partidos da esquerda, a caminhada do movimento socialista no Brasil.
O segundo turno oferece nova oportunidade para dar um passo adiante na conscientização. Trata-se de esmiuçar as diferenças entre as duas candidaturas que restam, a fim de colocar mais luz na tese de que ambas são prejudiciais à causa dos trabalhadores.
O candidato José Serra representa a burguesia mais moderna, mais organicamente ligada ao grande capital internacional, mais truculenta na repressão aos movimentos sociais. No plano macroeconômico, não se afastará do modelo neoliberal nem deterá o processo de reversão neocolonial que corrói a identidade moral do povo brasileiro. A política externa em relação aos governos progressistas de Chávez, Correa e Morales será um desastre completo.
A candidata Dilma Rousseff é uma incógnita. Se prosseguir na mesma linha do seu criador - o que não se tem condição de saber - o tratamento aos movimentos populares será diferente: menos repressão e mais cooptação. Do mesmo modo, Cuba, Venezuela, Equador e Bolívia continuarão a ter apoio do Brasil.
Sob este aspecto, Dilma leva vantagem sobre a candidatura Serra. Mas não se deve ocultar, porém, o lado negativo dessa política de cooptação dos movimentos populares, pois isto enfraquece a pressão social sobre o sistema capitalista e divide as organizações do povo, como, aliás, está acontecendo com todas elas, sem exceção.
O que é melhor para a luta do povo? Enfrentar um governo claramente hostil e truculento ou um governo igualmente hostil, porém mais habilidoso e mais capaz de corromper politicamente as lideranças populares?
Ao longo dos debates do primeiro turno, a candidatura do PSOL cumpriu o papel de expor essa realidade e cobrar dos representantes do sistema posicionamento claro contra a desigualdade social que marca a história do Brasil e impõe à grande maioria da população um muro que a separa das suas legítimas aspirações. Nenhum deles se dispôs a comprometer-se com a derrubada desse muro. Essa é a razão que me tranqüiliza, no diálogo com os movimentos sociais com os quais me relaciono há 60 anos e com os brasileiros que confiaram a mim o seu voto, de que a única posição correta neste momento é do voto nulo. Não como parte do "efeito manada" decorrente das táticas de demonização que ambas candidaturas adotam a fim de confundir o povo. Mas um claro posicionamento contra o atual sistema e a manifestação de nenhum compromisso com as duas candidaturas.

Plínio Soares de Arruda Sampaio, 80 anos, é advogado e promotor público aposentado. Foi deputado federal por três vezes, uma delas na Constituinte de 1988, é diretor do "Correio da Cidadania" e preside a Associação Brasileira de Reforma Agrária - ABRA


Fale com Plínio Arruda Sampaio: plinio.asampaio@terra.com.br

terça-feira, 28 de setembro de 2010