Sou eu que sinto as horas que não passam.
O nó na garganta da cidade que te mata, só de pensar.
O relógio marca paciência,
A caneta desabafa o turbilhão contraditório dessa linha torta e bamba entre confiar e amar.
Se o amor é uma coisa boa, por que com ele tudo fica mais difícil?
Não, eu não quero tolher seus caminhos,
Quero mirar o que a tua vista alcança,
Nadar em maré baixa, ouvir o silêncio dos pássaros e brisa leve,
Vestido e tênis na areia,
Dedos apertados pelas suas mãos.
domingo, 19 de março de 2017
domingo, 20 de novembro de 2016
Tic-Tac
É desgastante à distância.
Eu tenho vivido a minha vida numa involuntária contagem
regressiva,
Quero que o presente seja o futuro
E gosto também de sair para dançar.
Mas pouco saio e tão pouco danço.
Difícil é terminar uma conversa sem um fim,
É arriscado magoar,
Pedir desculpas sem um beijo no rosto,
Um aperto na mão que desate o nó.
O tempo passa, mas ainda assim, há muito tempo.
As lágrimas caem no silêncio, no meio das léguas
E não chegam a lugar nenhum.
Tanto mar.
domingo, 3 de julho de 2016
segunda-feira, 27 de junho de 2016
DeCaThlon
Tão fresco quanto o sol do inverno que brinca pela manhã,
Tua necessidade de estar em todos os lugares estimula os
sentidos
E questiona a razão da província.
Tua figura me escapa dos dedos e,
Trêmula, como as páginas do livro que lê, com o vento, ainda
sinto o calor de tuas mãos.
Enxergar o mundo com tuas lentes não é mais que ter vestido
e buquê
À beira de uma queda d’água
Donde vive
Um penhasco.
quinta-feira, 19 de maio de 2016
Dos lugares que irei
Certa vez pensei em ficar, ficar meus pés no chão.
Fazer repousar ânimo, coragem, vida.
Mas era da juventude o princípio e não deu para viver em tom
pastel.
Sentia que precisava de um punhado de mar em minhas mãos,
para me levar à imensidão.
Passado o que se foi. Aprendi a me guiar pela incerteza da
vontade,
Agora tenho a cidade sob meus pés, vez, voz e vão (um desses
vários dos sertões),
Meus argumentos estão concentrados em voar.
De futuras histórias que hão de vir.
sexta-feira, 25 de março de 2016
Das chaves
Na dúvida, ele fecha a casa com chave tetra para que a
colega não interrompa
O gole nas taças,
A disposição das cadeiras,
E a música ao fundo
Com sua (in)evitável presença.
No fundo, ele sabe que vai resistir. Mas
Acaba desistindo diante da noite de chuva e fazendo sentir
sua existência.
Mais uma vez.
Ele quer um poema mais profundo, que o descreva melhor. Mas
a resoluta companheira
Só o faz provar o sabor amargo dos vislumbres das brechas. Fruto
de sua alma,
O que será o seu amor?
Um boleante sentimento, como o vinho que rega a
noite?
Ou como um cacho do cabelo dela, que se desenha lentamente,
na medida em que se vê livre dos traços de um pente?
Tal qual o som da mata, que aos nos silenciarmos toma
forma, é assim que tudo
(ou quase tudo) deve ser.
quarta-feira, 2 de março de 2016
Das brechas
Ele me conta dos teus sentidos
Quando se move ao meu
encontro
Teus dedos percorrem
meu rosto para tirar algum cisco
Ou algum poro sujo de minha pele
Tua presença comedida, teus silêncios são teus
talentos.
Seu gosto está nas bordas e brechas,
No samba que se toca ao fundo e na mão que de mansinho se apodera da minha.
Teu poema é me fazer sentir o doce envolto de uma
crosta amarga
E sólida. Mas ligeiramente, apenas.
De tempos em tempos tento decifrá-lo e ele não está
nos livros e enche-me de vírgulas.
Então o devoro, pousando meu corpo sobre seus desejos
já revelados.
Já não és mais esfinge, és força, pulso e métrica.
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