domingo, 3 de julho de 2016
segunda-feira, 27 de junho de 2016
DeCaThlon
Tão fresco quanto o sol do inverno que brinca pela manhã,
Tua necessidade de estar em todos os lugares estimula os
sentidos
E questiona a razão da província.
Tua figura me escapa dos dedos e,
Trêmula, como as páginas do livro que lê, com o vento, ainda
sinto o calor de tuas mãos.
Enxergar o mundo com tuas lentes não é mais que ter vestido
e buquê
À beira de uma queda d’água
Donde vive
Um penhasco.
quinta-feira, 19 de maio de 2016
Dos lugares que irei
Certa vez pensei em ficar, ficar meus pés no chão.
Fazer repousar ânimo, coragem, vida.
Mas era da juventude o princípio e não deu para viver em tom
pastel.
Sentia que precisava de um punhado de mar em minhas mãos,
para me levar à imensidão.
Passado o que se foi. Aprendi a me guiar pela incerteza da
vontade,
Agora tenho a cidade sob meus pés, vez, voz e vão (um desses
vários dos sertões),
Meus argumentos estão concentrados em voar.
De futuras histórias que hão de vir.
sexta-feira, 25 de março de 2016
Das chaves
Na dúvida, ele fecha a casa com chave tetra para que a
colega não interrompa
O gole nas taças,
A disposição das cadeiras,
E a música ao fundo
Com sua (in)evitável presença.
No fundo, ele sabe que vai resistir. Mas
Acaba desistindo diante da noite de chuva e fazendo sentir
sua existência.
Mais uma vez.
Ele quer um poema mais profundo, que o descreva melhor. Mas
a resoluta companheira
Só o faz provar o sabor amargo dos vislumbres das brechas. Fruto
de sua alma,
O que será o seu amor?
Um boleante sentimento, como o vinho que rega a
noite?
Ou como um cacho do cabelo dela, que se desenha lentamente,
na medida em que se vê livre dos traços de um pente?
Tal qual o som da mata, que aos nos silenciarmos toma
forma, é assim que tudo
(ou quase tudo) deve ser.
quarta-feira, 2 de março de 2016
Das brechas
Ele me conta dos teus sentidos
Quando se move ao meu
encontro
Teus dedos percorrem
meu rosto para tirar algum cisco
Ou algum poro sujo de minha pele
Tua presença comedida, teus silêncios são teus
talentos.
Seu gosto está nas bordas e brechas,
No samba que se toca ao fundo e na mão que de mansinho se apodera da minha.
Teu poema é me fazer sentir o doce envolto de uma
crosta amarga
E sólida. Mas ligeiramente, apenas.
De tempos em tempos tento decifrá-lo e ele não está
nos livros e enche-me de vírgulas.
Então o devoro, pousando meu corpo sobre seus desejos
já revelados.
Já não és mais esfinge, és força, pulso e métrica.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Arte
Vontade que dá é sair correndo. Sua amiga chata é realmente chata. E implica com as palavras em voz alta, indelicadamente. E eu inconvenientemente passo a conversar, quem quer me ouvir?! Luzes e rabiscos na tela sugerem o que é arte. Indecretada. Moderna ou pós, não entendo esses nomes. Todos ao meu redor falam isso soletrando o mundo, codificando-o através da existência ou ausência do prefixo pós. Entediante. Tantos nomes falados de autores renomados me cerceiam. Não sei quem fez o filme, não sei da biografia, do livro no início da carreira. A citação é da academia, que não sai de nós. Eu bem sei que sou assim. Estou farta. Mas seguirei assim, caminhando por estes meios e distribuindo farpas aqui e ali, escrevendo poemas curtos ou longos, pretendendo-me bela por minhas críticas. E seguirei sendo chata como todos os outros tão clichês em busca do não clichê.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Seu Zé
Um ônibus desvia sua rota e sua pele negra nem se preocupa com o perigo de atropelamento. Seu andar esforçoso, porém fatigado ao subir a Rua Teodoro Sampaio, conduz uma carroceria que remete há uma centena de anos e que até hoje não parece ter saído do cenário. Não destoa do habitual. Olhos baixos, conformados, reafirmam sua posição histórica. Apenas mais um catador de objetos rejeitados pela sociedade. Apenas mais um objeto rejeitado pela sociedade.
Não se sabe seu nome e afinal, por que se saberá?
Não se sabe seu nome e afinal, por que se saberá?
Assinar:
Postagens (Atom)